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Roteiro


CENA 01. INTERIOR. DIA. PROJEÇÃO DE IMAGENS, EM PRETO E BRANCO, DESGASTADAS PELO TEMPO, EM UM AMBINTE ESFUMAÇADO.

Aparece na tela uma série de imagens caseiras, desgastadas pelo tempo. São imagens de um filme em 16 mm antigo que mostra os personagens principais em cenas íntimas, um filmando o outro. Alguns segundos depois a câmera começa a afastar-se das imagens e vemos tratar-se de uma projeção em uma parede. Ao afastar-se mais a câmera revela um homem sentado em uma poltrona assistindo as imagens. Só se vê este homem meio de lado, quase de costas. Ele então se levanta e, devagar, vai em direção à parede. Ao andar ele chuta vários balões de gás coloridos soltos pelo chão. Ao chegar próximo, ele levanta os braços e tateia a parede como fazem as pessoas cegas. Ele vira-se e vemos que é cego, porque mantém os olhos vidrados e bem abertos em direção ao feixe de luz do projetor. As imagens continuam sendo projetadas na parede, no corpo do homem e no seu rosto. Durante toda esta seqüência uma conversa em off é ouvida. Não se escuta o ruído do projetor, somente as vozes em off. Ao final do diálogo o projetor é ouvido e o ambiente sonoro retorna à cena que é visualizada. Mas muito rápido, o filme acaba, vemos o final do negativo projetar uma luz estroboscópica na parede e no corpo do homem e tudo se apaga.

As imagens mostradas são as seguintes: Keyt sorrindo; sentada; entrando e saindo de foco; Charles tentando ajustar o foco. Keyt e Charles abraçados, sorrindo, passeando. Keyt correndo da câmera que a persegue pelo interior da casa. Keyt sorri de forma descontraída. Keyt olhando e sorrindo para o seu marido que traz um bolo de aniversário, ao mesmo tempo em que manuseia a câmera. Charles fazendo esculturas de barro, sendo filmado por ela. Ele joga uns pedaços de barro em direção dela de forma amistosa e ela revida a brincadeira. Keyt sendo acordada por seu marido, que a filma. Os dois brincam um com o outro, a câmera cai de lado e focaliza os dois se beijando e se abraçando...

Um back ground instrumental da música “?????????”, toca durante toda esta seqüência.

KEYT (OFF)

Como você quer que eu volte pra casa uma hora dessas, seu louco? Se eu perder esse emprego vai ser complicado viver só de sua arte!... De suas artes!...

CHARLES (OFF)

Posso também sair vendendo um pouco dessa minha saudade!

KEYT (OFF)

E vai fazer isso como, engraçadinho? Inflando balões com saudade e perguntando pras pessoas se elas querem comprar?

CHARLES (OFF)

Ótima idéia, mas vou guardar alguns pra mim. Pra ficar olhando quando você não estiver por perto.

CHARLES (OFF)

Não demora...!Queria muito entregar umas rosas pra essa minha mulherzinha linda, que me deixa doido de tesão,... Nos vemos em uma hora lá em casa... Inventa qualquer coisa aí no trabalho... Sei lá, diz que é um caso de vida ou morte. Já estou quase chegando e não quero me queixar a estas rosas...

KEYT (OFF)

(Sorrindo)

Te amo doidinho... Muito... Vou ver o que consigo fazer aqui...

Nesse momento dos offs, um forte estampido de tiros provoca ruídos e falhas na ligação. Ouvimos a voz de Keyt tentando manter a comunicação com seu marido, mas escuta apenas uns grunhidos dele que se misturam com vozes que se comunicam de forma confusa e exaltada. A ligação telefônica cai. Na imagem do vídeo caseiro vemos o close de Charles falando. A imagem vai desfocando e o som vai distorcendo gradativamente.

TITULO DO FILME

Cada letra do titulo aparece ao som de um teclado de telefone

P E L O O U V I D O

CENA 02: INTERIOR. LOCAL DE TRABALHO. DIA.

Travelling passando por diversas mesas onde jovens atendem clientes ao telefone de forma automática, mecânica (Sim, Pois não senhor, Vou transferir a ligação para outro setor, um momentinho, por favor...). O vozeario é intenso. O movimento de travelling cessa quando chega à Keyt que está sentada em uma mesa um pouco maior que às de outras jovens e tem os cabelos diferente do que nas cenas das imagens caseiras. Ela está usando um bluetooh acoplado a seu ouvido, e conversa com um cliente explicando as vantagens de um determinado tipo de serviço.

KEYT

Sim, senhor... Temos também esse modelo de celular. Acho uma excelente escolha, eu mesmo tenho um desse. Com a ajuda de um de nossos consultores o senhor pode escolher não só o modelo, mas também um dos vários planos tarifários que estão à disposição de nossos clientes...

Concluída a conversa, Keyt olha fixamente para o telefone sob sua mesa e digita vagarosamente um número de telefone no teclado de seu computador.

CENA 03: INTERIOR. CASA DO CASAL. DIA

Close em mãos de um escultor que modela habilmente figuras femininas no barro. Um barulho de telefone toca alto e constante. Plano geral de Charles em casa tratando zelosamente suas figuras de barro. Ele é cego e seus olhos vidrados demonstram sua deficiência. Ele parece absorto com a atividade e o telefone continua tocando insistentemente. De repente ele para de modelar o barro, pega uma prancheta, puxa uma caneta pendurada nela e escreve alguma coisa. Volta a modelar logo em seguida.

CENA 04: CONTINUAÇÃO DA CENA 2

Keyt coloca o telefone no gancho e aparenta sua desistência. Logo em seguida o telefone de sua mesa toca. Ela, num lampejo de emoção, atende com rapidez. (Nessa cena só há imagem de Keyt)

KEYT

Alô!?

Voz masculina off-telefone

Keyt!?

KEYT

(eufórica)

Sim!!!

Voz masculina off-telefone

Oi Catarina, sou eu, Marcos.

KEYT

(Demonstrando certa frustração)

Oi Marcos, desculpe... Pensei que fosse outra pessoa.

MARCOS

Estava te observando daqui... Imagino que você ligou novamente pro Charles e mais uma vez ficou ouvindo o telefone tocar...

KEYT

(esboçando um sorriso)

Quem sabe um dia ele atende!

MARCOS

(tratando-a pelo apelido, com intimidade)

Keyt, já faz mais de dois anos que aconteceu tudo aquilo com ele... Você não pode ficar fazendo isso sempre, assim acaba tornando as coisas mais difíceis pra você...

KEYT

(peremptória)

Tenho que voltar ao trabalho, Preciso desligar agora.

MARCOS

Ok, desculpe... Só estou tentando ajudar... Você sabe que pode contar comigo sempre que precisar... Se quiser sair... Pra conversar, se distrair... Eu vou estar sempre por aqui.

Ela responde com certa ironia e bom-humor.

KEYT

Você não desiste mesmo, né? Muito obrigada pelo convite, mas está tudo bem. Bom fim de semana pra você... Até logo.

Keyt desliga o telefone, que logo volta a tocar. Desta vez, é um cliente. Ela repete as mesmas vantagens de sempre dos serviços da empresa de celular.

KEIT

Alô?.... Pode passar que eu resolvo... Pois não, senhora... Sim, sou eu mesmo... A senhora pode optar por uma de nossas tarifas promocionais.... Seu filho tem alguma preferência de aparelho...?

Fade out.

CENA 05: INTERIOR. CASA. NOITE

Keyt passa a chave na fechadura de uma porta e vira uma maçaneta. Close de seu rosto. Plano Geral de Keyt entrando em sua casa. Keyt abre a porta e vê Charles fazendo exercício nas barras. Ela deixa sua bolsa e uma pasta em cima de uma poltrona e aperta o botão da secretária eletrônica. Ouvimos mensagens antigas de Charles deixando recados carinhosos para ela.

Ela aperta um botão da secretária eletrônica. Ouvimos mensagens antigas de Charles deixando recados carinhosos para ela:

MENSAGEM 1

Oi meu amor, passei em casa e coloquei um vinho pra gelar.... Tive que sair rapidinho para resolver umas coisas da exposição, mas não demoro... Quero te encher de beijos, morder teu pescoço, te pegar de jeito... Te adoro!

Ela se aproxima dele, que ainda não se deu conta de sua presença. As Mensagens prosseguem

MENSAGEM 2

Keyt, já te falei hoje o quanto eu sou louco por você menina!? Acho que já falei isso um monte de vezes, mas sei que escutar pra você nunca é demais, né? Gostaria que você ouvisse isso, de novo, assim que chegar em casa... Ainda não sei a que horas vou terminar minhas coisas por aqui... Preferia dizer isso bem de pertinho, no seu ouvido... Mas assim que chegar, digo tudo de novo, pessoalmente, ao vivo e a cores, e o que é melhor, encaixadinhos... No sofá da sala, na bancada do escritório, em cima da cama,... Beijo...

Quando Keyt chega bem perto dele, ele pára de fazer barras e com um olhar vago (devido à deficiência), leva mão até o rosto dela e constata que ela está sorrindo. Ele sorri também. A voz dele na secretária eletrônica continua ressoando um poema

MENSAGEM 3

Oi meu bem, estava brigando com aquele poema até agora, mas terminei... Acho! Escuta só! “Pra te abrir não uso chave. Sirvo-me de algo melhor: A boca ardente. Com a boca: Lábios, língua e dentes, abro muita coisa. Teu cofre tua caixinha de jóias...

Ela, em alguns momentos, fala o poema junto com o a voz dele emitida pela da secretária eletrônica. Ela fala bem perto do ouvido dele. Ele sente a vibração da voz dela e sorri.

MENSAGEM 3

...Mas não teu coração nem tua mente. Me falta uma chave: A palavra... A voz. Coloco tua gaiola no parapeito da janela e te solto. Te assalto. Roubo-te. Abro-te (pausa)... Bem... Acho que é isso...

Os dois começam a se beijar. Ele suavemente a empurra até ao sofá. Lá eles começam a fazer um sexo intenso, ao som da voz dele na secretaria eletrônica, repetindo o poema que a excita ainda mais.

Um back ground instrumental de um tango(?).

A câmera passeia pela casa e fecha em close na secretária eletrônica que faz sinal de mensagens concluídas.

Fade out.

CENA 06: INTERIOR. CASA (COZINHA E SALA). DIA.

Imagem de um feixe luminoso irrompendo uma parte vazia da casa, anunciando a manhã. Trilha sonora de uma versão bem lenta e melancólica de Nina Simone cantando “House of the rising sun”.

Traveling pela casa até a cozinha onde vemos Keyt de pé, de costas, com uma xícara de café numa das mãos.

Na outra mão ela tem a prancheta que Charles usa pra escrever e se comunicar com ela. Ela olha para o texto, mas ao ler os recados-poemas, ouve-se a voz de Charles:

Dor no ouvido

A dor maior/não é outra/senão/esse maldito/telefone que não

toca.

Raios-X

O acúmulo de dias/ Fez-me velho./ Velho me fiz,/ transparente./De transparente/fiquei/invisível.

Então ela escuta problemas no som que oscila, aumenta e diminui. Ela se vira vai até a sala chamando o marido pelo seu apelido carinhoso

KEYT

Chaarliiie!!!

Ela o vê um tanto exaltado, mexendo no botão do volume, querendo chamar a sua atenção. Ela se aproxima dele, pega em suas mãos e diz:

KEYT

Êêêi... Tô aqui seu dorminhoco!...

Ele a abraça com força e ela volta a repetir serenamente

KEYT

Estou aqui...

Os dois começam a dançar juntos vagarosamente ao som da vitrola. Ela encosta a cabeça sobre o peito dele e esboça um sorriso ao falar.

KEYT

Está tocando sua música preferida... Você sempre cantava pra mim, lembra? Sinto falta de ouvir sua voz...

Ela sorri, olha a janela abraçada com Charles. O vento bate sobre a cortina que a deixa flutuando por um breve período.

CENA 07: INTERIOR. BANHEIRO. NOITE

Travelling dos dois na banheira. Ela segura o livro “A Caverna”, de Saramago. Charles está sentado logo à sua frente de olhos fechados. Ela lê o trecho do livro:

KEYT

“Nada... nem o som e nem o peso podem se igualar a feitura de barro. É impossível. E há ainda a relação entre a vista e o tato, a vista que é capaz de ver pelos dedos que estão a tocar o barro. Os dedos que sem lhe tocarem, conseguem sentir o que os olhos estão a ver.”

Keyt olha com admiração para seu marido descansando na banheira logo à sua frente e começa a jogar água nele, falando frases em tom divertido como:

KEYT

É assim que você se sente? Diga pra mim... Realmente você sempre foi muito habilidoso com as mãos, eu não tenho como negar... Então quer dizer que você é capaz de me enxergar com seus dedos, de me desenhar com suas mãos, hein?

Ele se assusta com a primeira borrifada de água em seu rosto, mas logo entende que é uma brincadeira e os dois começam a brincar um com o outro na banheira. Ele sai da banheira e busca a toalha. Antes de sair, dá um “caldo” carinhoso nela. Keyt permanece na banheira. Ela encosta sua cabeça na borda.

Na sala, Vemos as mãos de Charles escolhendo aleatoriamente um LP. Tateando ele constata que o prato está parado. Ele liga o som e confere o vinil girando lentamente sobre a ponta de seu dedo.

Keyt da banheira, ao ouvir a musica, sorri. Ela imita a voz gutural de Piaf gargarejando água. Depois recosta novamente a cabeça na borda da banheira e escuta a música quase que melancolicamente.

Keyt lentamente mergulha a cabeça na banheira (câmera submerge). Tudo também fica em silêncio absoluto. Ela emerge novamente e volta a escutar a música. Passa mais um pequeno tempo e ela retira-se da banheira espalhando bastante água pelo chão. Fade out.

CENA 08: INTERIOR. AMBIENTE DE TRABALHO DE KEYT. DIA.

Imagem de Keyt falando ao telefone, reiterando as vantagens do seu produto.

KEYT

(Sem som)

...Isso mesmo, nosso sistema oferece a mais alta tecnologia garantindo máxima segurança e proteção contra clonagem.... Exatamente, eu quem agradeço, senhor! Tenha um bom dia.

Ao desligar, ela vê em seu desktop no descanso de tela uma foto dela e Charles juntos. Ela olha fixamente para o telefone como de outras vezes e depois vai discando vagarosamente. Keyt escuta o barulho do telefone tocando insistentemente.

Voz masculina off-telefone

Alô?

Keyt permanece um tempo em silêncio até que finalmente fala

KEYT

Pensei que você nunca mais você fosse atender...

Silêncio.

Voz masculina off-telefone

(demonstrando grande surpresa)

Catarina..!?

Plano Médio de Keyt. A câmera lentamente faz uma aproximação e fecha no rosto dela.

Voz masculina off-telefone

Desculpe a demora... Isso aqui hoje tá uma loucura... Nunca pensei que fosse você...

KEYT

Não quero tomar muito o seu tempo Marcos... Só queria saber se o convite pra conversar ainda está de pé.

A voz de Marcos revela surpresa e satisfação.

MARCOS

Que surpresa! Claro que está. O que você gostaria de fazer?

KEYT

(insinuante e marota)

Preciso conversar... Sinto necessidade de ouvir... Você... Quero sentir uma voz masculina, me falando palavras quentes, carinhosas, ofegantes... Ao telefone mesmo, como estamos fazendo agora... Você acha que tem algum problema nisso?

Marcos responde sem conseguir ocultar certa frustração.

MARCOS

Não, não... Claro que não...

KEYT

Você poderia me ligar hoje à noite!?... Melhor, eu ligo, por volta das oito e meia, nove horas... Assim poderemos conversar melhor e com mais tranqüilidade...

Com a imagem fixa em Keyt, eles continuam conversando, mas sem som e a câmera se afasta. Keyt desliga o telefone demonstrando certo alívio. Ela volta ao trabalho.

CENA 09: INTERIOR. CASA. NOITE

O radio – relógio, em cima do criado mudo marca 20:15.

Keyt está deitada na cama, de lado, nua. Charles chega por trás dela, ajoelha-se na cama e começa a acariciar-lhe suavemente o corpo. Passa-lhe as mãos descendo pelo ombro, braço, cintura, anca, coxa, perna e pé.

Keyt mexe-se um pouco, como se quisesse ajudá-lo. Charles começa Novamente agora pelo pescoço, costas, cintura... Na terceira vez ele não usa mais as mãos, agora ele usa a boca, a barba por fazer...

Fade out.

O radio – relógio, em cima do criado mudo marca 21:23.

Keyt está recostada na cama, coberta com o lençol, olhando pro teto. Charles está recostado do outro lado da cama, escrevendo um recado pra ela na prancheta: “Vinho!?”

Keyt sorri, levanta-se nua, e vai buscar o vinho. Quando volta, entrega o copo na mão do marido, dá um beijo na boca dele e senta-se recostada na cama, ao seu lado.

Fade out.

O radio – relógio, em cima do criado mudo marca 21:50.

Keyt sem aparentar nenhuma pressa liga o telefone no modo viva voz e tecla um numero. O telefone chama só duas vezes. Uma voz masculina ressoa no viva voz.

Voz masculina off-telefone

Alô!

Keyt pega a prancheta da mão do marido e lê (com os olhos/câmera) o poema que esta bem em cima:

Linguagem. Fala!/Fela!/Fila!/Fola!/Fula!/E o coração dela foi parar na virilha... /Depois escorregou para o joelho/que tremia

Voz masculina off-telefone

(Continua chamando)

Alô! Alô!

Keyt se põe sobre o marido. Charles sorri levemente e a acaricia, como se estivesse modelando na cintura e nos seios.

A voz masculina no outro lado da linha, insiste.

Voz masculina off-telefone

(Continua chamando)

Alô!

KEYT

(responde finalmente)

Oi Marcos!

MARCOS

Já estava ansioso... Lembrando o que você me disse mais cedo... De querer sentir minha voz falando palavras quentes, carinhosas e ofegantes ao seu ouvido...

KEYT

É... Tou precisando muito disso...

MARCOS

Imagina então minha boca bem juntinha do teu ouvido... Dizendo o quanto eu quero você... O que quero fazer com você... Morder teu pescoço... Abraçar você... Puxar teu cabelo... Te chamar de safada, de gostosa... Te dizer quanto tempo esperei por esse momento...

Keyt geme enquanto acaricia e é acariciada por Charles.

Travelling out. A câmera se afasta lentamente e vemos ao fundo, desfocado, Keyt e seu marido, fazendo amor.

CRÉDITOS FINAIS

(Sobre a imagem de Keyt e Charles Fazendo amor e ao som de Libertango)

Pelo Ouvido

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